quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Conto dos contos

                                Imagem de um filme de animação de Yuri Norsteim.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Santiago Carrillo (1915-2012)

                                          Com Dolores Ibárruri, “La Pasionaria”.

                                          Foto do El Pais
Morreu Santiago Carrillo, antigo secretário-geral do Partido Comunista Espanhol (PCE) e figura maior do processo de transição democrática e de reconciliação nacional no país vizinho (1976-78).
Foram muitos os gestos de coragem de Carrilho, ao longo de uma vida que se confunde com grande parte da História de Espanha no século XX. Destaco a denúncia da invasão da Checoslováquia pelos exércitos do Pacto de Varsóvia, gesto que o levou a romper com o estalinismo.
Santiago Carrillo soube ler os sinais do tempo e estabelecer pontes com os inimigos de outrora (refiro-me aos tempos da guerra de 1936-39 que dilacerou Espanha). Morreu um grande democrata.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

As Estações do Ano



Uma pérola esta animação do mestre russo, Yuri Norsteim.

15 de Setembro


As pessoas saíram à rua no dia 15 de Setembro. Um dia quente de Verão.
E manifestaram-se, cada uma à sua maneira. Para uns, era a voz, a cor e os slogans das faixas. Para outros, o silêncio. 
Caminhámos lado a lado ao longo de um percurso que nos levou, primeiro, até à Praça de Espanha, depois a São Bento.
Jovens e velhos, gente de todas condições.
Havia esperança. Socorro-me de Chico Buarque: foi a bonita a festa. Uma festa cívica.


sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Das elites políticas (e do Pedro).

Sabemos que não podemos viver sem elas. Nem sem partidos. A Democracia precisa destes, mesmo não se esgotando neles. Mas podemos ter partidos e não ter Democracia. E a crise desta espelha o estado das organizações partidárias. Mas a responsabilidade última pela qualidade da democracia que temos é nossa.

Somos nós, cidadãos, que fazemos os partidos e escrutinamos os governos eleitos nos vários níveis da vida democrática; nacional, regional e local. Se caucionamos o mau governo, ou nos alheamos do escrutínio dos eleitos e da participação cívica, então somos co-responsáveis pela situação vivida no nosso país; de crise democrática exacerbada pela tormenta económico-financeira.
Ontem vimos, na nossa televisão ainda pública, um primeiro-ministro impreparado, cujas respostas, nalguns casos, roçaram a infantilidade (vide o episódio das pessoas com dinheiro que não compraram carros, razão para a quebra da receita fiscal; ou a sugestão ao patrão da Sonae para baixar os preços). Mas Pedro Passos Coelho não será o último primeiro-ministro impreparado da nossa democrática república. Outros estão ao virar da esquina: enquanto persistirem mecanismos de selecção muito pouco meritocráticos das elites políticas ao interior dos partidos políticos; enquanto continuar a nossa abulia democrática.



quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Experimentalismos

Estamos a viver sob o signo do experimentalismo económico. Do ministro Vítor Gaspar e do aparentemente seu mentor, António Borges, sem esquecer os ilustres especialistas da Troika.
Em si mesmo, o experimentalismo económico não é invenção dos comummente designados de neoliberais (aqui é o prefixo quem mais ordena). Também os marxistas-leninistas (aqui o que conta é o hífen) foram seus entusiastas, numa história tristemente célebre, que tantas vidas humanas deixou pelo caminho.
Porém, em ambas as ideologias, a mesmo lógica interna. As pessoas são o ruído do mundo a que importa pôr cobro, quais grãos na engrenagem dos modelos rumo aos fins últimos, cientificamente legitimados. Em nome da Empresa, em nome do Futuro Radioso.

O Mundo e o Modelo

O mundo é um lugar estranho. E belo. É por isso que os modelos do nosso ministro das finanças não acertam.
Como especialista, Vítor Gaspar deposita uma fé cega no poder explicativo dos modelos. Confessou ao jornalista ter, finalmente, identificado o padrão de ajustamento da economia portuguesa, pelo que não se repetirão os erros do passado recente. É da natureza do especialista.
Mas o mundo não se deixa domesticar pelos modelos. Felizmente para nós.