segunda-feira, 17 de setembro de 2012

15 de Setembro


As pessoas saíram à rua no dia 15 de Setembro. Um dia quente de Verão.
E manifestaram-se, cada uma à sua maneira. Para uns, era a voz, a cor e os slogans das faixas. Para outros, o silêncio. 
Caminhámos lado a lado ao longo de um percurso que nos levou, primeiro, até à Praça de Espanha, depois a São Bento.
Jovens e velhos, gente de todas condições.
Havia esperança. Socorro-me de Chico Buarque: foi a bonita a festa. Uma festa cívica.


sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Das elites políticas (e do Pedro).

Sabemos que não podemos viver sem elas. Nem sem partidos. A Democracia precisa destes, mesmo não se esgotando neles. Mas podemos ter partidos e não ter Democracia. E a crise desta espelha o estado das organizações partidárias. Mas a responsabilidade última pela qualidade da democracia que temos é nossa.

Somos nós, cidadãos, que fazemos os partidos e escrutinamos os governos eleitos nos vários níveis da vida democrática; nacional, regional e local. Se caucionamos o mau governo, ou nos alheamos do escrutínio dos eleitos e da participação cívica, então somos co-responsáveis pela situação vivida no nosso país; de crise democrática exacerbada pela tormenta económico-financeira.
Ontem vimos, na nossa televisão ainda pública, um primeiro-ministro impreparado, cujas respostas, nalguns casos, roçaram a infantilidade (vide o episódio das pessoas com dinheiro que não compraram carros, razão para a quebra da receita fiscal; ou a sugestão ao patrão da Sonae para baixar os preços). Mas Pedro Passos Coelho não será o último primeiro-ministro impreparado da nossa democrática república. Outros estão ao virar da esquina: enquanto persistirem mecanismos de selecção muito pouco meritocráticos das elites políticas ao interior dos partidos políticos; enquanto continuar a nossa abulia democrática.



quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Experimentalismos

Estamos a viver sob o signo do experimentalismo económico. Do ministro Vítor Gaspar e do aparentemente seu mentor, António Borges, sem esquecer os ilustres especialistas da Troika.
Em si mesmo, o experimentalismo económico não é invenção dos comummente designados de neoliberais (aqui é o prefixo quem mais ordena). Também os marxistas-leninistas (aqui o que conta é o hífen) foram seus entusiastas, numa história tristemente célebre, que tantas vidas humanas deixou pelo caminho.
Porém, em ambas as ideologias, a mesmo lógica interna. As pessoas são o ruído do mundo a que importa pôr cobro, quais grãos na engrenagem dos modelos rumo aos fins últimos, cientificamente legitimados. Em nome da Empresa, em nome do Futuro Radioso.

O Mundo e o Modelo

O mundo é um lugar estranho. E belo. É por isso que os modelos do nosso ministro das finanças não acertam.
Como especialista, Vítor Gaspar deposita uma fé cega no poder explicativo dos modelos. Confessou ao jornalista ter, finalmente, identificado o padrão de ajustamento da economia portuguesa, pelo que não se repetirão os erros do passado recente. É da natureza do especialista.
Mas o mundo não se deixa domesticar pelos modelos. Felizmente para nós.

Um sopro de vida

Um sopro de vida no blogue
Um breve impulso no fim do Verão. E o Deserto Vermelho regressa à vida. Um sopro vida. Como no romance de Maurice Blanchot, Morte Suspensa, uma das minhas leituras destas férias. Umas férias de mar e praia que me alhearam docemente do quotidiano. E dos problemas do mundo.